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Nada


Escrevo por compulsão.

Não escrevo para mim, tampouco para ti, escrevo.

São palavras jogadas ao léu, sem nenhum enlevo,

Qual se uma força estranha

Teimasse em brincar com a pena, em minhas mãos

Para decantar o nada.

Nem tristeza, nem sofrimento,

Tampouco alegria ou contentamento.

Nem desespero, nem esperança,

Tampouco luz a me servir de guiança.

Nada.

Eterna morada de um anjo infeliz, por ti mandado,

Que cá chegando criou raíz, mas foi incapaz de me fazer feliz.

Antes suporto dele o assédio,

Enquanto minha alma agoniza aos poucos

De nada e de tédio.

 

Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos

http://www.fatimairene.com

Proibida a cópia e a publicação em outras páginas sem a prévia autorização da autora.

 


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