Assim sem aviso
Silêncio dos sonhos sonhados
Tão dilacerados
E por fim esquecidos
Silêncio da aridez permanente
Que trinca meu chão
De maneira pungente
Silêncio do calado tormento
Que se instala nas fibras
Do meu pensamento
Silêncio das asas caídas
Que me fazem prisioneira
Do ponto de partida
Silêncio do abismo que separa
Aquilo que sou do que quisera eu ser
Se me fora dado escolher
Silêncio eternamente sublimado
Do não manifesto pedido de amor
Que me permita ao menos uma sobrevida
Silêncio enfim
Da criança perdida
Vivendo no meio de gente crescida
Silêncio...
Fátima Irene Pinto
Do livro Momentos Catárticos
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