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Pai e filho que sempre fomos


Domingo, 25 de março de 2001 - In Memorium


Em um tarde quente e chuvosa de domingo,
liguei o rádio a sua procura e não te ouvi
"O que será que aconteceu com meu amigo?"
Eu me lembrei do último dia em que te vi...

Não era tão forte quanto a tempestade
nem como as areias quentes que já pisei,
mas naquele instante eu senti saudade
dessa pessoa especial que sempre amei.

Nesse momento acordei e meu telefone tocou,
me veio a mente aqueles nossos velhos anos...
a noticia que recebi em seguida muito machucou
transformando em pó nossos antigos planos.

Queria tanto que um dia você soubesse 
que apesar de estar bem longe de mim,
quando pequeno dizia: "Papai, se pudesse,
não deixaria que as coisas ficassem assim."

E foram os desejos que superaram a razão,
não aconteceu exatamente como planejamos;
talvez nossos erros esfriaram a emoção
de ser pai e filho como sempre desejamos.

Mesmo nessa hora, no fim de tudo, agora,
eu lhe perdoo pai por todos os seus erros,
sinto que lá por dentro minha alma chora
e que sua presença espanta meus medos.

Eu tenho um amor tão forte que lutaria contra... {Pausa}
Rajadas de vento, a força das marés, a morte;
quem sabe, um dia, a gente não se reencontra
e aí sim o destino nos dite uma melhor sorte?

Nesse dia então poderíamos ser mais felizes
como pai e filho que verdadeiramente somos,
deixando de lado todas as nossas cicatrizes
nos esquecendo dos grandes tolos que fomos.

No momento, tenho apenas linhas para escrever
uma carta cheia de lágrimas e indignada a Deus,
porque este tendo em mãos o destino e o poder,
não me deu a chance de lhe dizer o último adeus.

E em um último minuto de comoção e sofrer,
gostaria que o céu iluminasse a minha crença,
de possuir um dia o teu brilho e jeito de ser,
sentindo dentro do meu peito a sua presença."

Autor: Marcelo de Oliveira Bruno

 




"Só Deus conhece a razão das perdas... 
Só ele pode curar nosso coração da imensa dor da separação."


--+--

"Há um portal aberto no fim desta estrada, por onde cada um de nós há de passar sozinho. E, além dele, dentro da luz que não vemos, o Senhor acolhe os Seus. Lá que nosso querido Júlio César Bruno desfruta felicidade e paz. E nós encontramos o consolo, quando nos lembramos que o Senhor sabe o que faz!"

Júlio César Bruno
(25/11/53 - 25/03/01)

 


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